terça-feira, 18 de outubro de 2011
martheando [ 2 ]
domingo, 5 de junho de 2011
martheando
Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com nossos relógios e calendários. Nem ousarei discutir esta questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o tempo não existe, eu existo. Se o tempo não passa, eu passo. E não é só o espelho que me dá certeza disso.
O tempo interfere no meu olhar. Lembro do colégio em que estudei durante mais de uma década, meu primeiro contato com o mundo fora da minha casa. O pátio não era grande – era colossal. Uma espécie de superfície lunar sem horizontes à vista, assim eu o percebia aos sete anos de idade. As escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas atravessavam os telhados. Os corredores eram passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes. Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem o tamanho que parecia antes. O tempo ajustou minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.
A interferência do tempo atinge minhas emoções também. Houve uma época em que eu temia certo tipo de gente, aqueles que estavam sempre a postos para apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas e a sensação que me causam é nem um pouco desafiadora ou impactante. E mesmo os que amei já não me provocam perturbação alguma, apenas um carinho sereno. E me pergunto como é que se explica que sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva se desintegrem? Alguém era grande no meu passado, fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo, dando a devida proporção aos meus afetos e desafetos.
Talvez seja esta a prova da sua existência: o tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da infância, que exigia muitas pedaladas para ser percorrida, hoje é atravessada em poucos passos. Uma árvore que para ser explorada exigia uma certa logística – ou ao menos um “calço” de quem estivesse por perto e com as mãos livres – hoje teria seus galhos alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.
E ainda nem mencionei as coisas que realmente foram reduzidas: apartamentos que parecem caixotes, carros compactos, conversas telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da infância, em que cabia com folga nossa imaginação e inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao mínimo, a uma vida funcional.
Eu cresci. Por dentro e por fora (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande, como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou aldeia, somos todos vizinhos, todos vivendo apertados, financeira e emocionalmente falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho do futuro – quando o futuro também era infinito à minha frente.
[ a interferência do tempo ]
terça-feira, 24 de maio de 2011
martheando
Como é que não pensamos nisso antes? O que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta ao passado, estanca o tempo, não permite avanço. A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor, uma experiência ruim, uma frase que nos feriu, quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente. Aí, sim: lembrando como se deve, a ânsia por esquecimento poderá até ser dispensada, não precisaremos esquecer de mais nada. E, não precisando, vai ver até esqueceremos.
Ah, se tudo fosse assim tão simples. De qualquer maneira, já é um alento entender as razoes que nos deixam tão obcecados, tristes, inquietos. São as tais lembranças mal lembradas.
Você fez cinco anos, sonhava em ganhar a primeira bicicleta, seu pai foi viajar e esquecer. Uma amiga íntima, que conhecia todos os seus segredos, roubou seu namorado. Sua mãe é fria, distante, e percebe-se que ela prefere disparado sua irmã mais nova. E aquele amor? Quanta mágoa, quanta decepção, quanto tempo investido à toa, e você não esquece – passaram-se anos e você, droga, não esquece.
Essas situações viram lembranças, e essas lembranças vão se infiltrando e ganhando forma, força e tamanho, e daqui a pouco nem sabemos mais se elas seguem condizentes com o fato ocorrido ou se evoluíram para algo completamente alheio à realidade. Nossa percepção nunca é 100% confiável.
O menino de cinco anos superdimensionou uma ausência que foi emergencial, não proposital.
Você nem gostava tanto assim daquele namorado que sua amiga surrupiou (aliás, eles estão casados até hoje, não foi um capricho dela).
Sua mãe tratava as filhas de modo diferenciado porque cada filho é de um modo, cada um exige uma demanda de carinho e atenção diferente, o dia que você tiver filhos vai entender que isso não é desamor.
E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, se recusa a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou a sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o dessa fatura.
São exemplos simplistas e inventados, não sou do ramo. Mas Adam Phillips é, e me parece que ele tem razão. Nossas lembranças do passado precisam de eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria – pena que nada disso seja fácil. Costumamos lembrar com fúria, saudade, vergonha, lembramos do gosto pelo épico e pelo exagero. Sorte de quem lembra direito.'
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
realmente não sei se nessa hora o tamanho da familía é proporcional ao constrangimento. em famílias pequenas, o assunto certamente acaba logo e ficam todos com aquela cara de banana sentados no sofá, empanturrados de tanto comer, sentindo vergonha alheia pela xuxa, didi ou qualquer coisa do gênero que esteja passando na televisão nessa data especial.
falando nisso, onde está a cantora simone? eu elaborei uma teoria de que durante o ano, ela se escondia, só aparecendo em meados de novembro ou dezembro para cantar a fatídica canção do natal e ano novo, ganhar algum dinheiro e depois sumir novamente por outros onze meses. não sei se é porque eu não assisto mais televisão, principalmente depois do advento da banda larga, mas esse ano senti a ausência dela.
ao natal: hoje é o dia (ou melhor, a noite) de encontrar aqueles parentes que você não viu o ano inteiro, mas que vão dizer que te amam. te amam tanto que não lembraram do seu aniversário (exceto os que tem orkut - ainda), ou não foram te visitar no hospital depois do acidente de trânsito que você sofreu. sem falar que vão te encher de perguntas para tentar resumir em no máximo, três frases, todos os seus esforços durante o último ano.
''tá namorando? tá estudando? tá trabalhando?'
se você responder sim às três perguntas acima, será imediatamente metralhado com outras perguntas mais específicas, para o "detetive" em questão elaborar o seu relatório interno sobre a sua vida, o qual será útil para falar sobre você com os outros parentes depois.
nunca escapamos também daquela tia (às vezes ela nem mesmo é sua tia, é uma mera agregada da família, que foi vizinha de porta da sua mãe em 1977 naquele conjugado na glória) que vai dizer: "nossa, como você cresceu!". mas como já somos grandes, não vai mais apertar nossas bochechas como há alguns anos atrás.
sem falar no tio tarado (repito que não necessariamente é mesmo seu tio, pode até mesmo ser o porteiro do seu prédio que vai passar de apartamento em apartamento para montar a ceia da família dele com pedaços da ceia dos moradores) que vai fazer alguma piada do gênero:
'e aí, vai cair de boca primeiro no peru ou na rabanada?'
ou você não responde e sorri de volta para o aspirante a comediante ou inocentemente, diz que vai pegar um copo de refrigerante e foge dali.
talvez aconteça de um casal de tios (provavelmente, a mulher é sua tia mesmo, que está em seu 6º marido, tendo o alcoolismo como traço comum entre os seis, talvez seja o critério de seleção dela) exceder-se no vinho e cometer alguma gafe, como cair na porrada em público por ciúmes ou então trancar-se-ão no banheiro para satisfazerem a lascívia um do outro.
em suma, o que eu quero dizer é para não nos esquecermos do verdadeiro sentido do natal: encher a cara de comida e de bebida para depois sentirmos remorso por tais excessos e novamente, colocarmos como resolução de ano novo emagrecer alguns quilos e adotar um modo de vida mais saudável.
enfim, tenho que parar de ficar divagando por aqui e colocar as coisas no carro. afinal, natal que se preze é no subúrbio, na casa da tia nely ou do seu raimundo. quem mora na zona sul vai fazer o tradicional passeio de final de ano por bairros como coelho neto, madureira, cachambi... e se a sua casa fica em algum desses lugares, provavelmente o anfitrião será você mesmo.
terça-feira, 6 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
e na fila do caixa do hortifruti...
- ih, é mesmo?? ah, brigada, senhora! a senhora é muito simpática!
- olhando assim você, eu me lembro do meu filho: foi morar com a mulher, deu no que deu, né? nunca olha a validade dos produtos... compra tudo errado.... acaba estragando tudo... HAHAHA
(risada de vovó)
- hehehe... é verdade.... essa vida não é mole.... hehehe
domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
inacreditável. vcs precisavam ver minha cara!
até minhas roupas que estavam secando na corda estavam no meu armário, dobradinhas!
ligo pra mamãe:
-dona lucia, vc deu uma passada aqui em casa? sei lá pra... sei lá! deu??
-não, juka... como eu entraria...?
-ah... tá... (?)
...
ligo pra porka:
-porka, vc chamou alguém pra limpar a casa, ou arrumou?? caraca, tá um brinco!!! foi vc????
-foi amon, juka!!! \o/
-sério?????? \0/
AMON FOREVER (L)
quinta-feira, 18 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
FORA, DOURADO!
Então começo por dividir o mesmo participante pelas edições.
DOURADO DO BBB 4
Foi meu preferido e isso não vai mudar. E muito menos tenho vergonha disso. O contexto que se deu aquela edição, dos superpobrinhos e tal, da mocinha santa da edição ter anúncio em site do par feito procurando caras que "ganhem acima de 5 mil reais" e presa com heroína aos 15 anos, ali, naquele contexto, o Dourado foi o único questionador. Pode parecer ridículo falar isso, mas ele sofreu preconceito. Por ser ateu. Coisa que na época deu muita polêmica de nego votar no confessionário e justificar "ele não tem fé". Tanto que nessa edição ele tá pianinho nesse assunto, não levanta bandeira nem nada. Gato escaldado não entra em canil.
Foi o único a peitar os superpobrinhos que não faziam nada o dia inteiro, nomeou a Cida (a campeã) de come-e-dorme, e na boa, alguém acha o contrário? É realmente injusto colocar pessoas por sorteio, porque o povo vai sempre votar no menos favorecido. Basta que ele fique quieto (comendo e dormindo) e pronto, três meses depois leva o prêmio. Veja bem, não basta ser pobre, tem que NÃO fazer merda. Aline BBB 5 que o diga.
Daí a gente já vê como se construíram dois pontos negativos em cima do Dourado:
- O ateu escroto que não acredita no poder maior, Deus.
- O playboy riquinho falando mal dos pobres.
Assim que acabou o BBB, todos na lavanderia (eu achava sensacional essa parte, pena que acabou), Dourado peitou Bial e toda a produção da globo ao questionar porque só mostravam uma parte dele, essa mesma parte dele questionar, dele falar mal da Cida, da falta de religiosidade, sendo que ele era muito mais. Lembro de Bial ter gaguejado, mas justificou dizendo que a parte que a edição do programa mostrava era tudo aquilo que gritava no participante. Bom, eu interpreto como "mostramos só isso, porque é isso que dá audiência, foda-se se te pintamos como vilão". E de certa forma, foda-se mesmo, nego está lá para isso, sabe que isso pode acontecer.
Outro ponto positivo que eu vi nele foi a lealdade. Ponto esse que pode ser percebido na edição atual. Com quem ele fecha, ele permanece até o fim. Ele não volta atrás como muitos voltam por perceber que o aliado está queimado com o público.
DOURADO DO BBB 10
Então esse mesmo cara que eu achava foda, entra no BBB 10 e de cara já tinha a minha torcida. Começa sendo excluído e me conquista mais (e conquista o Brasil que ama um excluído, vide Bambam e Dhomini), mas daí é ladeira abaixo.
Ele entrou no jogo completamente consciente de como as coisas funcionam. Toda a vez que faz merda, corre para recuperar o prejuízo. Sabe que deve fazer cenas engraçadas, pois é o que aparece na edição. Sabe que não pode se calar quando há alguma discussão, pois na edição, quem cala, consente. Ligadaço no jogo e isso não é defeito. Só acho uma pena a maioria das pessoas não terem consciência disso. Um exemplo? No BBB 4, Dourado vivia sacaneando patrocinador; hoje, ele sabe que perante a produção isso é um tiro no pé, então o que ele faz? Toda aquela cena linda e comovente quando ganhou o carro. São detalhes. São pequenas coisas que fazem você sacar qual é a onda do cara. Mais uma vez repito que isso não é defeito. São as armas dele. Só é meio triste as pessoas não verem isso e pensarem "que maneiro, o cara emocionado com o carro. dourado forever" e tal. GATO ESCALDADO.
Ele tem esse lado do preconceito misturado com ignorância que fica impossível torcer a favor. Ele critica o "exagero" por parte dos gays da casa, mas se esquece que toda minoria precisa gritar para aparecer. Entendo a limitação de pessoas como ele, mas não aceito determinados comportamentos. Ele se incomoda TANTO, sabe. De sentar quando toca robocop gay, de não querer escutar conversas. Então muita gente defende "é o direito dele". Então tá tranquilo eu virar e falar "ai gente, parem de falar de negros na minha frente"? Tá de boa eu sair da pista de dança porque os negros dominaram? É a mesma coisa e as pessoas não enxergam.
Mas sabe o limite de tudo, a gota d'água? Meu limite foi homem hetero não pega aids. Parei de torcer aí. E de lá para cá venho analisando tudo. Reavaliando ele não só dentro do Big Brother, já que é inegável que ele é o protagonista dessa edição, como fora também. Inserido dentro de uma sociedade e tudo. Veja bem. Ele para os amigos, para a família e para os fãs, não é mau caráter; pode ser grosseiro, mas é tido como gente boa. E daí eu lembro de Por dentro do III reich, do Albert Speer, onde a gente vê que a grande maioria dos ministros tinham suas famílias, amigos, e eram amados por eles. As atitudes que você tem dentro de um grupo não podem ser consideradas, se você tomas OUTRAS atitudes com um grupo diferente.
Dourado tem a coisa do carisma latente quando sabe usar e nas condições que o favoreçam. Segue a linha de vencedores como Bambam, Dhomini e Alemão. A torcida chega em um nível de fanatismo que nada de ruim vê. Apenas enxerga possíveis qualidades como o cara ser engraçado, o cara ir atrás e peitar uma briga etc. Disse em um outro post que os oponentes do Dourado são fraquíssimos. Posso curtir o Michel, mas é fraco. A Angélica é inteligente, mas joga errado. O ataque nunca é visto com bons olhos, se você contra-ataca de uma forma grosseira, tá tranks para o povo, mas o primeiro ataque é sempre visto de forma negativa. Foi assim que Alex e Morango se queimaram. Vejam que o Dourado é fortíssimo no programa, grosseiro, usa vocabulário de guerra, MAS tudo se justifica, ele foi atacado primeiro. É só o que o povo vê. Ele foi atacado primeiro. Se você recebe um tapa e revida com uma metralhadora, tá mais do que certo. Na visão de quem assiste bbb.
E tem a galera que curte, aceita todo o preconceito com o argumento de que ELE É AUTÊNTICO. Brother, qualquer merda pode ser autêntico. Então, falar as merdas na cara virou sinônimo de bonzão, só porque É VERDADEIRO? Continua.falando.merda.do.mesmo.jeito. Hitler era super autêntico. Dizia na cara que odiava negro, gay, judeu e muçulmano. E né? Era bonzão? Merecia o milhão?
Esse é meu ponto.
Pode ser engraçadíssimo. Pode ser o protagonista da edição. Pode levar o milhão. Pode ser autêntico e falar na cara. Só que. Até aqui cheguei."